Ouvindo uma música de fundo ela fica a contemplar a paisagem.
O espaço verdejante que se encontra em frente à sua casa, o soar das canas da ribeira e o grito das aves que ali habitam é mais forte que a música saída do aparelho electrónico.
A sua melodia é mais autêntica porque se forma naturalmente a partir da própria natureza.
À luz de uma vela perfumada ela consome-se no perfume que se espalha no ar.
Vive apenas aquele momento com a intensidade que o seu pensamento lhe dá.
Vive apenas o momento estonteante do presente, não pensando em mais nada.
Absolutamente nada...
Apenas está presente no momento presente na varanda da sua casa...
Escreve não pensando sequer no texto que está a escrever, apenas escreve o que a sua caneta dita porque a escrita liberta e ela quer descrever a sensação desse momento a passar.
Não pensa no passado nem tão pouco no futuro. Apenas vive aquele instante...
Ao fundo as luzes da cidade clareiam o céu abaixo da lua. Elas são de todas as cores, movimentando-se para lá do verde que se encontra à sua frente.
E apenas vive esse momento...
Mais tarde tem tempo para pensar no que quer fazer da sua vida, no que está certo, no que está errado, nas contas que tem para pagar, no trabalho que tem para fazer, na mãe e no pai que se vão distânciando aos poucos...
No encontro amoroso das horas vagas ou no amor do conto de fadas que a mãe lhe contava em criança...
Nos amores perdidos que não se voltam a encontrar e naqueles que poderiam chegar a ser grandes amores, outrora rejeitados...
No amor perfeito...
Aquele que promete vir um dia ao seu encontro mas que nunca chega a horas.
Enfim, tudo o que conhece e sabe deixa ficar para mais tarde...
Agora prefere ficar apenas a contemplar o infinito...que é ao fim ao cabo o desencontro com a vida.



