quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Desígnios da vida


Uma vida dura o tempo que dura, nem mais nem menos. Porém enquanto dura ela é vivida de diferentes maneiras.


O caldeirão dos acontecimentos permanentes com os quais confeccionamos consecutivamente a nossa possibilidade de existência no mundo faz-nos experienciar o lado bem condimentado da vida mas também aquele que a azeda.


O lado saboroso, divino, encantador, excepcional faz-nos sentir seguros, confiantes, belos por dentro e por fora... contudo a perda desses condimentos que colocam sabor na nossa vida, levam-nos para abismos profundos, deixam-nos perdidos, à deriva, sem norte, desorientados...aí, experienciamos a dor, o sofrimento, o tédio e esses sentimentos derrotam esse lado belo que fazia parte de nós. Por vezes chegamos mesmo a pensar que já não há nada de belo, nem dentro de nós e menos ainda fora de nós. Aliás é o que se mostra diante dos nossos olhos que nos faz sentir esse vazio no interior.


No entanto a maior parte das vezes é necessário cair dentro do caldeirão e afundarmo-nos lá para repensar o caminho que nos faz voltar à tona. É precisamente aí que podemos ter a capacidade de renascer das cinzas, tornarmo-nos Fénix da nossa própria existência. Essa capacidade de morrer para renascer em pleno e saborear de novo o que se encontra no interior do caldeirão.


Eu pergunto-vos:

-Será que todos conseguimos ter essa capacidade de nos elevarmos ao expoente máximo de coragem, de vontade, de atitude?


Eu respondo por mim:
- Com certeza que sim!
Qual o segredo?
Cada um tem de descobrir por si porque o meu segredo é um, o vosso é outro!


A continuação fica para o próximo capítulo...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Utopia

Ilusão de criança, dos contos de fadas. Irreal.
Vem junto a mim segredar-me a tua fantasia. O teu sonho.
Eu prometo contar-te o meu.
Vem, abraça-me bem forte. Beija-me.
Deposito em ti a esperança de realizar o desejo de uma mulher menina.
Inocência escondida no véu que me encobre a alma e o corpo.
Vontade oculta que me assola o coração e a mente.
Dou-te a minha pele em troca da tua pele.
Dou-te a minha alma em troca da tua alma.
Sejamos ambos…Uno. Num acto.
Estrela luzente que me guia de noite. Raio de sol que me ilumina de dia.
Luz presente no meu espírito que caminha em direcção ao teu…

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Férias 2007



Ah! Viagem de fundo cristalino, esta que iluminou os meus dias cinzentos de pranto.
No crepúsculo os Deuses brindaram à vida que ainda se faz sentir nas minhas veias.
Paz serena, amena, com gosto de uva tenra, figo seco e frutos silvestres. Manhãs de clarividência da minha alma, noites apaziguantes dos meus tormentos.

Ah! Colinas que encobriam os males que Baco tentara lançar sobre os pobres entes indefesos, fazendo deslizar por entre os seus vales rios de lágrimas entusiásticas que tentavam calar o descontentamento da minha sorte.

Viagem… curativa da minha inquietação, contrastante do desconcerto do meu espírito.
Impugnadora da minha condição de encarcerada numa tela pintada a preto e branco…

Jogo agora com todas as cores da natureza, as cores originais no seu estado de pureza mais remota, imaculada, renegando todas as sordidezes e crueldades da mão humana. Inocência original que me conduz ao infinito do meu ser. Revelação da minha essência.

Ah! Como eu desejava que a esfera humana fosse igual às paisagens das praias fluviais, onde as folhas das árvores se espelham com a sua beleza natural nas águas tépidas das correntes calmas, sem ressentimentos, sem narcisismos, sem mágoas, mostrando apenas a sua nudez absoluta.

Porque não é tão simples a relação entre os homens?