sexta-feira, 29 de junho de 2007

Perdida na poesia

Ouço uma porta a fechar
Apaga-se a luz, fico no escuro
Olho em frente e presenteia-me o futuro…

Aí percorro rios
Aí percorro estradas
Aí caminho a passos lentos
Para a porta de entrada
No pais das maravilhas

Alice…
O gato troça
As cartas baralham
Não faço Xeque-mate
As peças não se encaixam

Resta-me o Deus que me perdeu…
Escuto o seu chamamento
Procuro no escuro a sua voz
Que vem bem lá do fundo
Como quem se quer esconder de nós

Asfixio…
Sem ar para respirar
Alguém me dá a mão
Levanto-me, ponho-me a andar
Seguindo o sentido do meu coração

Amor…
Olhas para mim. Sorris
E foges como as folhas caídas das arvores,
Arrastadas pelo vento
Depois voltas para me dizeres de novo adeus
Pintando o retrato do momento

Perco-me…
Nos tempos de outrora
Onde tudo era iluminado
Por uma mística encantadora
Por entre sorrisos desinteressados


Palavras…
Leva-as o vento
Para o centro da lua
Que me guarda o sentimento
Que se encontra cá dentro

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Perdida entre versos

Espero por ti quando não vens
Procurando-te onde não estás
Vendo-te mais uma vez
Na memória que subjaz

Ganho forças e avanço
Tentando encontrar o caminho
Onde fujo dos espinhos
Na anseia de agarrar a rosa

Mas a roseira é brava
E o caminho é esguio
E para além de tudo isso
O piso é escorregadio

Nesse dia de tempestade
Em que partiste com o sol
Fizeste-me mergulhar no mar
Onde banhaste o teu rol

Foi aí que vi o sentido
Do rumo da minha vida
Revirado e meio perdido
No decorrer de uma história garrida

Tentando sair do abismo
Que teima em me afundar
Estico a mão e abraço
A ponta de um retornar

A espuma agora que emerge
Desse remoinho profundo
Faz-me mudar de sentido
E revirar o meu rumo

O tempo agora passa mais leve
Que uma pluma a deslizar
E o que o mundo me promete
É aquilo que eu desejar

Agora passo horas
A fazer tudo e nada
Faço tudo o que me apetece
E quando quero não faço nada

Agora sou livre de ser
Sou a essência do “eu”
Agora quero filosofar
Na vida perante a sorte
Da alma aluada que me invade
E me conduz até à morte

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Na noite sobrevivo como pena de não poder morrer…



Se a vida cumpre a sua tarefa escatológica, obrigando-nos a percorrer os labirintos mais infames na esperança de encontrar a luz que espreita lá do fundo, porque nos fomenta esta cegueira constante e nos larga à deriva, deixando-nos apenas tactear o espaço em que nos movemos?

Esse espaço enublado por baixo do sol que não se deixa sorrir e abrir-se directamente para dentro de nós.

Ao invés disso, na noite perdura um luar que nos ilumina essa estrada labiríntica onde os caminhos se entrecruzam desconhecendo-se o seu findar. Essa luz ilumina as trevas e os óbices que nos travam a passagem e nos fazem recuar e escolher outra estrada igualmente labiríntica onde nos perdemos sem avistar uma saída.

Seria bem mais fácil jogar a nossa vida na “Second Live” onde a realidade se desenvolve de forma virtual e basta carregar no botão para terminar e carregar novamente para recomeçar de novo, criando criaturas de todas as espécies, inseridas em formas de vidas com diferentes padrões. Talvez até mesmo a primeira vida se pudesse reiniciar a partir do ponto em que se carregou no botão pela última vez para apagá-la.

Comandar a second live pode até ser mais fácil que comandar a própria vida mas só daqui a uns séculos quando os deuses já foram homens…

Contudo, na realidade vivida enquanto tal, só no fim da jogada se compreende porque terminámos apenas com aqueles pontos!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Montaigne


Michel Montaigne viveu entre 1533 e 1592; séc. XVI.
Filho de pais burgueses, recebeu uma educação preocupada com os símbolos exteriores da aristocracia. Foi enviado aos seis anos de idade para o colégio de Guyenne, em Bordeaux tendo-se formado em advocacia, exercendo desde então cargos de conselheiro no tribunal e no parlamento em Bordeaux. No entanto a sua decepção com as condenações a seu ver bárbaras e hostis praticadas na época fê-lo dedicar-se aos divertimentos mundanos, gostando de beber e deliciar-se com mulheres, vendo-as apenas como objecto de prazer sensível, achando-as, além de possessivas, seres incapazes de elevação espiritual. Mentalidade típica da época, ou melhor, de todas as épocas.
Sim, porque ainda encontramos hoje este tipo de mentalidade incutida em muitos homens, será hereditário?

Para além disso, Montaigne não gostava dos salamaleques das saudações nem de agradecimentos, aspirava apenas viver sossegadamente com os livros. Não procurou o casamento mas foi levado a tal por motivos de força maior, do qual sobreviveu apenas uma menina de nome Leonor entre os filhos que tivera e que não resistiram, morrendo prematuramente.

Após a morte de seu pai e de seu amigo Etienne de la Boétie, recolheu-se num quadro melancólico de tristeza e solidão que o levaram a escrever os seus três livros intitulados Ensaios. Achava-se “inteiramente desprovido de qualquer assunto específico” tornando-se a si próprio objecto de análise e discussão.

Os seus textos são desenrolados em forma de contradições onde o leitor se perde, tentando encontrar um fio condutor ou uma linha de conexão contextual, em vez disso, segue percorrendo apenas caminhos oblíquos e disfarçados, desnorteando aquele que tenta encontrar um sentido de significação. Porém as suas palavras tocam-nos as profundezas da alma e levam-nos ao devaneio de deliberar-mos sobre elas os factos da nossa própria vida.

Só a título de curiosidade deixo aqui um trecho do capítulo intitulado:
-De como filosofar é aprender a morrer

“Não sabemos onde a morte nos aguarda, esperemo-la em toda a parte. Meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu de servir, nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda sujeição e constrangimento”.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Bang Bang

Um dia ouvimos falar do Bang Bang e ficámos curiosas; falo no plural porque este comentário de que o Bang Bang era muito fixe foi-me transmitido por uma amiga minha que também desconhecia o local.

Resolvemos então uma quinta-feira aparecer por lá e o resultado foi este...










A partir daquele dia o Bang Bang tornou-se um local de culto das quintas feiras à noite...

terça-feira, 12 de junho de 2007

Orion

Orion é o meu companheiro cá de casa.

O seu coração de "Caçador Gigante" endiabrado conquista-me de dia para dia!

Sabe sempre o que quer e não me larga enquanto não obtem o que pretende...

É um traquinas e só me dá prejuizo...mas a alegria que me tráz supera todos os estragos que possa causar.

Outro dia comeu um bolo de chocolate inteiro e nem sequer me deixou uma fatia...

Eu bem tento metê-lo na linha mas é dificil...

As nossas batalhas acabam sempre com o cansaço da dona que abana a bandeira branca perante a sua feracidade.

Enfim...o meu companheiro é daqueles que uma mulher espera e desespera...

É porco mas muito alegre;
É vádio mas muito meigo;
É ciumento e possessivo mas muito inteligente;
É garganeiro e guloso e depois anda de caganeira o tempo todo...

É o meu cão, e porque o é, é para mim a minha melhor companhia.

Além disso...É só meu!

Reflexão tendencialmente Adorniana


Peço desculpa ao meu Professor Manuel Martins em primeiro lugar por me permitir divagar sobre as suas palavras durante a aula de Estética e não estar mais atenta ao conteúdo teórico da matéria leccionada...mas não resisti!

...A vida foge no tempo em que todas as "coisas" giram à nossa volta.

Elas vão surgindo, mostram-se e dão um sentido à vida que segue no entanto, sem sentido e à medida que nós as queremos agarrar, apropriarmo-nos delas, elas escapam-se por entre o emaranhado de fios entrelaçados do tapete que pisamos.

O tal tapete que nos revela uma imagem do direito mas que se constroi do avesso de uma forma totalmete diferente da imagem que pretende mostrar...

Esse tapete para o qual olhamos e espezinhamos ao mesmo tempo é no fundo uma construção com sentido que para o exterior se apresenta totalmente outro...Assim é a vida!

Uma construção histórica e finita que termina na capela, contemplando-se apenas a imagem que cai no esquecimento...