quarta-feira, 27 de junho de 2007

Perdida entre versos

Espero por ti quando não vens
Procurando-te onde não estás
Vendo-te mais uma vez
Na memória que subjaz

Ganho forças e avanço
Tentando encontrar o caminho
Onde fujo dos espinhos
Na anseia de agarrar a rosa

Mas a roseira é brava
E o caminho é esguio
E para além de tudo isso
O piso é escorregadio

Nesse dia de tempestade
Em que partiste com o sol
Fizeste-me mergulhar no mar
Onde banhaste o teu rol

Foi aí que vi o sentido
Do rumo da minha vida
Revirado e meio perdido
No decorrer de uma história garrida

Tentando sair do abismo
Que teima em me afundar
Estico a mão e abraço
A ponta de um retornar

A espuma agora que emerge
Desse remoinho profundo
Faz-me mudar de sentido
E revirar o meu rumo

O tempo agora passa mais leve
Que uma pluma a deslizar
E o que o mundo me promete
É aquilo que eu desejar

Agora passo horas
A fazer tudo e nada
Faço tudo o que me apetece
E quando quero não faço nada

Agora sou livre de ser
Sou a essência do “eu”
Agora quero filosofar
Na vida perante a sorte
Da alma aluada que me invade
E me conduz até à morte

Nenhum comentário: