segunda-feira, 18 de junho de 2007

Montaigne


Michel Montaigne viveu entre 1533 e 1592; séc. XVI.
Filho de pais burgueses, recebeu uma educação preocupada com os símbolos exteriores da aristocracia. Foi enviado aos seis anos de idade para o colégio de Guyenne, em Bordeaux tendo-se formado em advocacia, exercendo desde então cargos de conselheiro no tribunal e no parlamento em Bordeaux. No entanto a sua decepção com as condenações a seu ver bárbaras e hostis praticadas na época fê-lo dedicar-se aos divertimentos mundanos, gostando de beber e deliciar-se com mulheres, vendo-as apenas como objecto de prazer sensível, achando-as, além de possessivas, seres incapazes de elevação espiritual. Mentalidade típica da época, ou melhor, de todas as épocas.
Sim, porque ainda encontramos hoje este tipo de mentalidade incutida em muitos homens, será hereditário?

Para além disso, Montaigne não gostava dos salamaleques das saudações nem de agradecimentos, aspirava apenas viver sossegadamente com os livros. Não procurou o casamento mas foi levado a tal por motivos de força maior, do qual sobreviveu apenas uma menina de nome Leonor entre os filhos que tivera e que não resistiram, morrendo prematuramente.

Após a morte de seu pai e de seu amigo Etienne de la Boétie, recolheu-se num quadro melancólico de tristeza e solidão que o levaram a escrever os seus três livros intitulados Ensaios. Achava-se “inteiramente desprovido de qualquer assunto específico” tornando-se a si próprio objecto de análise e discussão.

Os seus textos são desenrolados em forma de contradições onde o leitor se perde, tentando encontrar um fio condutor ou uma linha de conexão contextual, em vez disso, segue percorrendo apenas caminhos oblíquos e disfarçados, desnorteando aquele que tenta encontrar um sentido de significação. Porém as suas palavras tocam-nos as profundezas da alma e levam-nos ao devaneio de deliberar-mos sobre elas os factos da nossa própria vida.

Só a título de curiosidade deixo aqui um trecho do capítulo intitulado:
-De como filosofar é aprender a morrer

“Não sabemos onde a morte nos aguarda, esperemo-la em toda a parte. Meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu de servir, nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda sujeição e constrangimento”.

3 comentários:

Anônimo disse...

Querida quantos Montaignes não existem hoje em dia!? Não precisas de ir ao século XVI, cada um com os seus devaneios....!

Sandalf disse...

Pois é Silvinha, até parece que remontámos ao passado quando estamos diante deles!

Renato Martins disse...

Teria dado um excelente artigo para o Café. ;-)