sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Vagueando...

Na sombra dos dias
Vagueio pelas estradas
Cruzando-me contigo nas encruzilhadas

Discursas aí como o curso dos rios
Que flúem com a presteza do vento
Desaguando na foz que me absorve o pensamento

Extasiado, sussurras-me de mansinho:
- Saudade… Desejo… Paixão…
Promessa vã. Palavras ambíguas.
Cifra fatalmente indecifrável.
Destino cristalizado no tempo que não pára de estar parado

E assim vagueio na sombra dos dias
Escondendo-me por fim no alento da lua
Que me segue, fugidia…
Quando o cruzamento que se aproxima
E a aura que alcanço é a tua.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

E se a espécie humana de repente desaparecesse?



Há dias li um artigo publicado na revista Super Interessante do mês de Novembro/07 sobre o conteúdo do livro “Um mundo sem nós” editado pelo autor Alan Weisman, que por sua vez compôs a sua obra à base de estudos e dados científicos que apurou junto de cientistas das mais variadas áreas de modo a que o produto final da sua obra descrevesse uma perspectiva o mais ajustada possível à realidade se eventualmente se desse o fenómeno da extinção da espécie humana.

Particularmente, achei bastante interessante esta ideia e a preocupação que o autor teve em editar um livro que poderia ser apenas um fruto da sua imaginação e que, no entanto conseguiu fazer com algum rigor lógico e cientifico, na perspectiva do “como se” fosse verdade!

No entanto, mais do que uma simulação dessa realidade, coloca-se neste tema um novo paradigma ontológico e epistemológico sobre a própria origem e evolução da espécie humana na esfera terrestre. Pois tal como as teorias estruturalistas ou os darwinismos do passado nos dão uma perspectiva sobre o princípio da nossa existência na terra, também aqui, A. Weisman nos coloca diante de uma perspectiva semelhante mas antagónica. Como que um pressuposto contrário ao do nosso principio. Seria antes como um desaparecer da espécie humana que daria lugar a uma recriação do mundo depois da nossa actuação sobre ele. Neste caso seria o princípio de uma auto-regeneração da própria natureza e de como esta poderia sobreviver sem uma intervenção racional que a fizesse transformar em algo diferente daquilo que ela é como matéria-prima. Deste modo, o nosso desaparecimento daria origem a uma nova paisagem onde vigoraria a actuação vegetal e animal sobre o tempo e o espaço e de como estas espécies se desenvolveriam e retirariam todo o proveito desse próprio espaço aproveitando os vestígios da fabricação humana.

Do meu ponto de vista, o que se coloca aqui em causa é a força bruta da natureza e de como esta é capaz de sobreviver e fazer da esfera terrestre um instrumento funcional para a sua própria subsistência. Assim, toda a natureza se desenvolveria de modo a explorar sobre ela mesma os seus próprios recursos naturais, ou seja, actuaria ela própria sobre si mesma, sem que para tal precisasse de fabricar algo que não resultasse como produto final na sua própria matéria. Nesta actuação natural da própria natureza em si não haveria forças impositoras ou ditatoriais, tudo se transformaria livre e anarquicamente. Cada espécie vegetal ou animal imporia a sua natureza sem restrições. Deixaria de haver crenças religiosas ou cultos sociais, não haveria necessidade de pensar e muito menos de dizer. Seria o absoluto silêncio da razão em prol de uma liberdade naturalmente actuante. Continuaria a haver rituais de acasalamento e uma musicalidade desprovida da necessidade de compilações de sonatas em papiro. Todos os sons se produziriam calmamente e, em simultâneo comporiam uma sinfonia estonteante e diversificada de instrumentos e tonalidades. Seria um novo mundo com uma nova paisagem, uma outra riqueza, uma diferente importância. Todo o poder que a espécie humana exerce hoje sobre a natureza, destruindo-a cada vez mais em prol de um usufruto da mesma para a sua comodidade enquanto ser no mundo se transformaria no seu contrário. Tudo o que a espécie humana construiu seria naturalmente destruído pela corrosão dos solos, pelas cheias e furacões, assim como as condições atmosféricas dariam origem à expansão de espécies animais e vegetais actualmente em vias de extinção e talvez a um equilíbrio natural do próprio ecossistema.

A questão fundamental que se coloca perante um hipotético fenómeno como este é saber onde está a entidade criadora. Esse motor imóvel de criação aristotélica que tudo faz girar à sua volta, girando sobre ele mesmo e por isso permanecendo sempre no mesmo lugar comandando o exterior. Esse motor que ao longo dos séculos de sobrevivência e actuação humana foi adquirindo várias designações e incorporando um estatuto de poder soberano. Afinal não será a própria natureza esse Deus em que nos apoiamos hoje?

Se desaparecêssemos do planeta poderíamos colocar a questão do abandono de Deus a partir das suas próprias criaturas, a deixá-lo governar-se por si só? Ou pelo contrário, poderíamos igualmente colocar a questão de maneira inversa, de que Deus nos criou para agora nos abandonar...Nesse caso, para que plano Deus nos transportaria a nós, criaturas dele?

É curioso pensar todas estas questões em particular e não apenas limitarmo-nos a observar esse fenómeno na sua aparência paisagística, pois existem determinados factores que interferem no estado das coisas, com os quais é impossível consolidar uma posição absoluta dessa transformação por si só.

No meu poder criativo, diria que…Seria catastrófico passar para um outro plano no qual se pudesse observar a evolução do planeta terrestre sem nós, aprisionados numa esfera irremediavelmente impermeável, onde só subsistiria a espécie humana, ficando esta interditada de qualquer relação com outra espécie que não fosse ela própria, não podendo esticar o braço para colher uma rosa, ou sabendo que existiria fruta madura, fresca, pronta a comer, não lhe pudesse dar uma dentada, ou ter a certeza de que o Adão não desceria à terra e a Eva já não iria cometer o pecado original novamente. Isto colocar-nos-ia no fundo de tudo, no abismo mais profundo do universo, somente a assistir à força brutal da espécie vegetal e animal a consumir um planeta que outrora era nosso. Este fenómeno remetia-nos para o inferno, pois ficaríamos imputados de qualquer actuação, de qualquer intervenção, de qualquer manutenção sobre o real. Ficaríamos desta forma como que, suspensos dentro de uma grande bola de plástico transparente que nos teria sido deixada como herança, apenas a observar a paisagem e a transformação daquilo que nós próprios construímos. Esta poderia ser uma forma de penitência pelo facto de destruirmos aquilo que agora se auto-regeneraria…Ficaríamos ali agonizados a aguardar de novo a total regeneração da natureza até que esta se tornasse de novo no paraíso para que essa esfera impermeável onde aguardávamos esse estado, se rebentasse e voltasse de novo a existir a tal humanidade que viria mais uma vez destruir a natureza…

Esta visão da relação entre o ser humano e a natureza dá-se na minha mente de forma cíclica, assim como a própria natureza o é. A chegada da noite, o cair do manto negro com a lua de fundo e o aparecimento do sol em cada nascer do dia... iriam perpetuar-se infinitamente…

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Desígnios da vida


Uma vida dura o tempo que dura, nem mais nem menos. Porém enquanto dura ela é vivida de diferentes maneiras.


O caldeirão dos acontecimentos permanentes com os quais confeccionamos consecutivamente a nossa possibilidade de existência no mundo faz-nos experienciar o lado bem condimentado da vida mas também aquele que a azeda.


O lado saboroso, divino, encantador, excepcional faz-nos sentir seguros, confiantes, belos por dentro e por fora... contudo a perda desses condimentos que colocam sabor na nossa vida, levam-nos para abismos profundos, deixam-nos perdidos, à deriva, sem norte, desorientados...aí, experienciamos a dor, o sofrimento, o tédio e esses sentimentos derrotam esse lado belo que fazia parte de nós. Por vezes chegamos mesmo a pensar que já não há nada de belo, nem dentro de nós e menos ainda fora de nós. Aliás é o que se mostra diante dos nossos olhos que nos faz sentir esse vazio no interior.


No entanto a maior parte das vezes é necessário cair dentro do caldeirão e afundarmo-nos lá para repensar o caminho que nos faz voltar à tona. É precisamente aí que podemos ter a capacidade de renascer das cinzas, tornarmo-nos Fénix da nossa própria existência. Essa capacidade de morrer para renascer em pleno e saborear de novo o que se encontra no interior do caldeirão.


Eu pergunto-vos:

-Será que todos conseguimos ter essa capacidade de nos elevarmos ao expoente máximo de coragem, de vontade, de atitude?


Eu respondo por mim:
- Com certeza que sim!
Qual o segredo?
Cada um tem de descobrir por si porque o meu segredo é um, o vosso é outro!


A continuação fica para o próximo capítulo...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Utopia

Ilusão de criança, dos contos de fadas. Irreal.
Vem junto a mim segredar-me a tua fantasia. O teu sonho.
Eu prometo contar-te o meu.
Vem, abraça-me bem forte. Beija-me.
Deposito em ti a esperança de realizar o desejo de uma mulher menina.
Inocência escondida no véu que me encobre a alma e o corpo.
Vontade oculta que me assola o coração e a mente.
Dou-te a minha pele em troca da tua pele.
Dou-te a minha alma em troca da tua alma.
Sejamos ambos…Uno. Num acto.
Estrela luzente que me guia de noite. Raio de sol que me ilumina de dia.
Luz presente no meu espírito que caminha em direcção ao teu…

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Férias 2007



Ah! Viagem de fundo cristalino, esta que iluminou os meus dias cinzentos de pranto.
No crepúsculo os Deuses brindaram à vida que ainda se faz sentir nas minhas veias.
Paz serena, amena, com gosto de uva tenra, figo seco e frutos silvestres. Manhãs de clarividência da minha alma, noites apaziguantes dos meus tormentos.

Ah! Colinas que encobriam os males que Baco tentara lançar sobre os pobres entes indefesos, fazendo deslizar por entre os seus vales rios de lágrimas entusiásticas que tentavam calar o descontentamento da minha sorte.

Viagem… curativa da minha inquietação, contrastante do desconcerto do meu espírito.
Impugnadora da minha condição de encarcerada numa tela pintada a preto e branco…

Jogo agora com todas as cores da natureza, as cores originais no seu estado de pureza mais remota, imaculada, renegando todas as sordidezes e crueldades da mão humana. Inocência original que me conduz ao infinito do meu ser. Revelação da minha essência.

Ah! Como eu desejava que a esfera humana fosse igual às paisagens das praias fluviais, onde as folhas das árvores se espelham com a sua beleza natural nas águas tépidas das correntes calmas, sem ressentimentos, sem narcisismos, sem mágoas, mostrando apenas a sua nudez absoluta.

Porque não é tão simples a relação entre os homens?

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Covão D'Ametade - Serra da Estrela



Havia um rochedo gigante que derramava lágrimas doces. Corriam-lhe pela face aquecida pelo sol da manhã. O crepúsculo porém, tornava-o gelado mas igualmente encantador. Na sua corrente banhei a minha face. Espelhei-me.
(Re) baptizei-me.

Havia um prado verde que se estendia pela planície do vale entrosando a sua elegância e diplomacia. O manto negro da noite porém, evidenciava a sua autoridade. Nele repousei a minha mente. Libertei-me.
(Re) nasci.

Havia criaturas sinistras que brincavam com a matéria fabricada pelos homens. A sua ingenuidade porém, era autentica. Nos seus actos reconheci a obliquidade que existia em mim. Me redimi.


Havia um céu estrelado que beijava a terra. Esse luar porém, continha um poder em si. Nele reflecti a luz dos meus olhos. Despojei-me de mim.

Havia o som das aves e das árvores que enfeitavam o céu com o seu movimento. O vento porém, bailava sem fim. Nele senti o feitiço do toque que produzia em mim. Elevei-me daqui.

Lá ouvi o eco do meu coração, o grito do meu desejo, a exaltação do meu espírito.

Lá achei a outra parte de mim…
Lá deixei um vestígio apagado da minha vida para trazer a vida que existia ali.

Meditação

Já faz algum tempo que não escrevo nada aqui, efectivamente estive de férias a meditar sobre a vida, pois que a morte está sempre certa!

sábado, 11 de agosto de 2007



Um dia um passarinho poisou sobre o meu ombro e segredou-me ao ouvido:
“Amanhã vai estar um lindo dia!” e nisto desatou a cantar…
Que estranho, de tão banal que soa esta frase, não atingi o seu sentido!
Após algum tempo de reflexão percebi, assim como tu vais perceber à medida que o amanhã se aproxima.

Rosa Amarela

Só a titulo de curosidade fui pesquisar "rosa amarela" e achei este texto que passo a descrever. Pensei colocá-lo aqui por causa do texto que tinha acabado de colocar anteriormente onde me reconheço na rosa amarela, porém sem o saber...



A ROSA AMARELA ativa a paz, a felicidade, atrai riqueza de espírito, transmite longevidade, aconchego, inspiração, sabedoria, emoção, nobreza, simplicidade.As ROSAS são elegantes, distintas e primorosas, serenas, miraculosas, naturais, inebriantes, atraentes e brilhantes, perfeitas, inspiradoras, poéticas, encantadoras, formosas e perfumadas,As ROSAS são delicadas, românticas e sedutoras.


A ROSA é símbolo de AMOR, de charme, luz e bondade, silêncio, zelo, carinho, desejo, vida, amizade, mistério, sorte e POESIA, renovação, alegria, romance, felicidade...-


José de Sousa Dantas

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Las chicas paraquedistas em Évora

Há dias sai para beber café depois de jantar com o pessoal do costume e quando dei por mim a noite já ia alta e dai passou a dia e sem dormir fui trabalhar e a seguir parti para o Algarve e por ai fora…
”Tanta resistência aos 32!”
Foi mais uma noite louca, uma noite de euforia como todas as que tenho passado nos últimos meses.
Descobri que afinal a minha felicidade se resumia a muito pouco comparado com o que vivo agora.
Já não é novidade para ninguém que me conhece o tempo que passei enfiada num relacionamento quase de onze anos e quase sempre a dois. Éramos dois para tudo e um para o outro. Não sei se me faço entender…
Afinal onde estava o mundo que me fugiu mesmo por baixo dos pés?
Hoje pergunto “Como fui deixar a vida escapar-se de mim…”
Que vivi eu? Que felicidade tive?
Não digo que tenha sido tarde porque “agora” nunca é tarde para viver.
Hoje agradeço-te pelo acto de coragem que tiveste!
Hoje desejo-te felicidade para o futuro tanto quanto o desejo para mim própria.
Porque hoje é um outro tempo, um outro espaço, um outro estado de espírito, uma outra vida que, perpetuando-se desde o início a mesma, renasceu e desabrochou num outro caule.
Hoje nasceu uma rosa amarela que vai abrindo e ficando cada vez mais encantada ou melhor, que se vai deixando encantar…
Encantar-se com a vida, encantar-se com as pessoas que a rodeiam, apaixonar-se pelo sol que a cumprimenta de manhã e pela lua que lhe sorri à noite.
Agora tudo a faz mover montanhas, tudo a fascina, a própria tinta da caneta com que escreve e o papel de fundo branco, imaculado…
Os riscos das palavras lavram agora um outro testemunho de si.

Coisa que nunca fiz durante onze anos– Escrever. Não que não me desse vontade, mas depois de ver um diário de uma adolescente enterrado num buraco escuro e profundo, totalmente desfolhado preferi guardar as palavras importantes no arquivo do meu cérebro ou mais para lá…

Bom, estou a distanciar-me do que interessa…

Voltando à noite de quinta-feira passada…

É verdade, sai para beber café apenas, e tão-somente isso…
Do café nos Álamos fomos à Harmonia, da Harmonia ao KIF, do Kif ao D. Duarte e do D. Duarte fomos à pastelaria das Pites comer as famosas empadinhas que entretanto já tinham esfriado dado o avançado da hora. Foi muito divertida aquela noite! Acabei dando guarida a duas raparigas do norte que entretanto passavam por Évora durante o seu percurso de férias em pacote economicíssimo (porque traziam a casa ás costas no porta bagagem) para Sevilha.
A Cláudia e a Maria nunca tinham passado por cá. Pararam apenas para relaxar um pouco da viagem e beber um copo na cidade e por acaso cruzaram-se connosco.
O que posso concluir disto tudo é que, tal como a Cláudia me disse no mail que me enviou a posteriori, a vida é imprevisível, algo de inesperado pode sempre acontecer…e esse algo é o que dá estimulo à vida, é o que a faz vibrar e é acima de tudo o que me faz querer viver mais e mais…

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

PEDRO ABRUNHOSA / ILUMINA-ME

ILUMINA-ME

Como quase todas as músicas de Pedro Abrunhosa, esta é mais uma que me toca profundamente a alma. Toca na ferida...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Fugindo de mim


Viajo na noite por entre as estrelas que me abraçam, pensando em ti...
A lua vem então ao meu encontro e esconde-me o teu segredo e eu rogo-lhe mais uma vez que mo conte...
O sol nasce e com ele se vai mais um dia...
Aguardo pacificamente mais uma vez que a lua volte ao meu encontro, pois na noite vivo e permaneço...
Aguardo mais uma vez a sua chegada, a tua...
A luz inverte-se e aparece de novo esse astro gigante que me afasta de mim, de ti...
Olho o horizonte, assisto ao ocaso imaginando-te aqui...
Num tempo em que a inocência nos domina.
Sonho contigo enquanto não adormeço...
Dou-te a mão e voamos os dois por entre as estrelas.
Brincamos na areia, construímos castelos.
Comemos caramelos e lambemos os dedos.
Jogamos às escondidas e gloriamos-nos de quem de nós descobriu primeiro o outro.
Segredo-te ao ouvido: -queres ser meu namorado?
E com ar envergonhado, respondes-me: -sim.
Desconhecemos o mundo que gira à nossa volta e partimos à sua descoberta.
sempre de mãos dadas, juntos a sorrir.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Perdida na poesia

Ouço uma porta a fechar
Apaga-se a luz, fico no escuro
Olho em frente e presenteia-me o futuro…

Aí percorro rios
Aí percorro estradas
Aí caminho a passos lentos
Para a porta de entrada
No pais das maravilhas

Alice…
O gato troça
As cartas baralham
Não faço Xeque-mate
As peças não se encaixam

Resta-me o Deus que me perdeu…
Escuto o seu chamamento
Procuro no escuro a sua voz
Que vem bem lá do fundo
Como quem se quer esconder de nós

Asfixio…
Sem ar para respirar
Alguém me dá a mão
Levanto-me, ponho-me a andar
Seguindo o sentido do meu coração

Amor…
Olhas para mim. Sorris
E foges como as folhas caídas das arvores,
Arrastadas pelo vento
Depois voltas para me dizeres de novo adeus
Pintando o retrato do momento

Perco-me…
Nos tempos de outrora
Onde tudo era iluminado
Por uma mística encantadora
Por entre sorrisos desinteressados


Palavras…
Leva-as o vento
Para o centro da lua
Que me guarda o sentimento
Que se encontra cá dentro

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Perdida entre versos

Espero por ti quando não vens
Procurando-te onde não estás
Vendo-te mais uma vez
Na memória que subjaz

Ganho forças e avanço
Tentando encontrar o caminho
Onde fujo dos espinhos
Na anseia de agarrar a rosa

Mas a roseira é brava
E o caminho é esguio
E para além de tudo isso
O piso é escorregadio

Nesse dia de tempestade
Em que partiste com o sol
Fizeste-me mergulhar no mar
Onde banhaste o teu rol

Foi aí que vi o sentido
Do rumo da minha vida
Revirado e meio perdido
No decorrer de uma história garrida

Tentando sair do abismo
Que teima em me afundar
Estico a mão e abraço
A ponta de um retornar

A espuma agora que emerge
Desse remoinho profundo
Faz-me mudar de sentido
E revirar o meu rumo

O tempo agora passa mais leve
Que uma pluma a deslizar
E o que o mundo me promete
É aquilo que eu desejar

Agora passo horas
A fazer tudo e nada
Faço tudo o que me apetece
E quando quero não faço nada

Agora sou livre de ser
Sou a essência do “eu”
Agora quero filosofar
Na vida perante a sorte
Da alma aluada que me invade
E me conduz até à morte

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Na noite sobrevivo como pena de não poder morrer…



Se a vida cumpre a sua tarefa escatológica, obrigando-nos a percorrer os labirintos mais infames na esperança de encontrar a luz que espreita lá do fundo, porque nos fomenta esta cegueira constante e nos larga à deriva, deixando-nos apenas tactear o espaço em que nos movemos?

Esse espaço enublado por baixo do sol que não se deixa sorrir e abrir-se directamente para dentro de nós.

Ao invés disso, na noite perdura um luar que nos ilumina essa estrada labiríntica onde os caminhos se entrecruzam desconhecendo-se o seu findar. Essa luz ilumina as trevas e os óbices que nos travam a passagem e nos fazem recuar e escolher outra estrada igualmente labiríntica onde nos perdemos sem avistar uma saída.

Seria bem mais fácil jogar a nossa vida na “Second Live” onde a realidade se desenvolve de forma virtual e basta carregar no botão para terminar e carregar novamente para recomeçar de novo, criando criaturas de todas as espécies, inseridas em formas de vidas com diferentes padrões. Talvez até mesmo a primeira vida se pudesse reiniciar a partir do ponto em que se carregou no botão pela última vez para apagá-la.

Comandar a second live pode até ser mais fácil que comandar a própria vida mas só daqui a uns séculos quando os deuses já foram homens…

Contudo, na realidade vivida enquanto tal, só no fim da jogada se compreende porque terminámos apenas com aqueles pontos!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Montaigne


Michel Montaigne viveu entre 1533 e 1592; séc. XVI.
Filho de pais burgueses, recebeu uma educação preocupada com os símbolos exteriores da aristocracia. Foi enviado aos seis anos de idade para o colégio de Guyenne, em Bordeaux tendo-se formado em advocacia, exercendo desde então cargos de conselheiro no tribunal e no parlamento em Bordeaux. No entanto a sua decepção com as condenações a seu ver bárbaras e hostis praticadas na época fê-lo dedicar-se aos divertimentos mundanos, gostando de beber e deliciar-se com mulheres, vendo-as apenas como objecto de prazer sensível, achando-as, além de possessivas, seres incapazes de elevação espiritual. Mentalidade típica da época, ou melhor, de todas as épocas.
Sim, porque ainda encontramos hoje este tipo de mentalidade incutida em muitos homens, será hereditário?

Para além disso, Montaigne não gostava dos salamaleques das saudações nem de agradecimentos, aspirava apenas viver sossegadamente com os livros. Não procurou o casamento mas foi levado a tal por motivos de força maior, do qual sobreviveu apenas uma menina de nome Leonor entre os filhos que tivera e que não resistiram, morrendo prematuramente.

Após a morte de seu pai e de seu amigo Etienne de la Boétie, recolheu-se num quadro melancólico de tristeza e solidão que o levaram a escrever os seus três livros intitulados Ensaios. Achava-se “inteiramente desprovido de qualquer assunto específico” tornando-se a si próprio objecto de análise e discussão.

Os seus textos são desenrolados em forma de contradições onde o leitor se perde, tentando encontrar um fio condutor ou uma linha de conexão contextual, em vez disso, segue percorrendo apenas caminhos oblíquos e disfarçados, desnorteando aquele que tenta encontrar um sentido de significação. Porém as suas palavras tocam-nos as profundezas da alma e levam-nos ao devaneio de deliberar-mos sobre elas os factos da nossa própria vida.

Só a título de curiosidade deixo aqui um trecho do capítulo intitulado:
-De como filosofar é aprender a morrer

“Não sabemos onde a morte nos aguarda, esperemo-la em toda a parte. Meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu de servir, nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda sujeição e constrangimento”.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Bang Bang

Um dia ouvimos falar do Bang Bang e ficámos curiosas; falo no plural porque este comentário de que o Bang Bang era muito fixe foi-me transmitido por uma amiga minha que também desconhecia o local.

Resolvemos então uma quinta-feira aparecer por lá e o resultado foi este...










A partir daquele dia o Bang Bang tornou-se um local de culto das quintas feiras à noite...

terça-feira, 12 de junho de 2007

Orion

Orion é o meu companheiro cá de casa.

O seu coração de "Caçador Gigante" endiabrado conquista-me de dia para dia!

Sabe sempre o que quer e não me larga enquanto não obtem o que pretende...

É um traquinas e só me dá prejuizo...mas a alegria que me tráz supera todos os estragos que possa causar.

Outro dia comeu um bolo de chocolate inteiro e nem sequer me deixou uma fatia...

Eu bem tento metê-lo na linha mas é dificil...

As nossas batalhas acabam sempre com o cansaço da dona que abana a bandeira branca perante a sua feracidade.

Enfim...o meu companheiro é daqueles que uma mulher espera e desespera...

É porco mas muito alegre;
É vádio mas muito meigo;
É ciumento e possessivo mas muito inteligente;
É garganeiro e guloso e depois anda de caganeira o tempo todo...

É o meu cão, e porque o é, é para mim a minha melhor companhia.

Além disso...É só meu!

Reflexão tendencialmente Adorniana


Peço desculpa ao meu Professor Manuel Martins em primeiro lugar por me permitir divagar sobre as suas palavras durante a aula de Estética e não estar mais atenta ao conteúdo teórico da matéria leccionada...mas não resisti!

...A vida foge no tempo em que todas as "coisas" giram à nossa volta.

Elas vão surgindo, mostram-se e dão um sentido à vida que segue no entanto, sem sentido e à medida que nós as queremos agarrar, apropriarmo-nos delas, elas escapam-se por entre o emaranhado de fios entrelaçados do tapete que pisamos.

O tal tapete que nos revela uma imagem do direito mas que se constroi do avesso de uma forma totalmete diferente da imagem que pretende mostrar...

Esse tapete para o qual olhamos e espezinhamos ao mesmo tempo é no fundo uma construção com sentido que para o exterior se apresenta totalmente outro...Assim é a vida!

Uma construção histórica e finita que termina na capela, contemplando-se apenas a imagem que cai no esquecimento...

quinta-feira, 31 de maio de 2007




A lua vai alta e o céu já escureceu.
Ouvindo uma música de fundo ela fica a contemplar a paisagem.
O espaço verdejante que se encontra em frente à sua casa, o soar das canas da ribeira e o grito das aves que ali habitam é mais forte que a música saída do aparelho electrónico.
A sua melodia é mais autêntica porque se forma naturalmente a partir da própria natureza.
À luz de uma vela perfumada ela consome-se no perfume que se espalha no ar.
Vive apenas aquele momento com a intensidade que o seu pensamento lhe dá.
Vive apenas o momento estonteante do presente, não pensando em mais nada.
Absolutamente nada...
Apenas está presente no momento presente na varanda da sua casa...
Escreve não pensando sequer no texto que está a escrever, apenas escreve o que a sua caneta dita porque a escrita liberta e ela quer descrever a sensação desse momento a passar.
Não pensa no passado nem tão pouco no futuro. Apenas vive aquele instante...
Ao fundo as luzes da cidade clareiam o céu abaixo da lua. Elas são de todas as cores, movimentando-se para lá do verde que se encontra à sua frente.
E apenas vive esse momento...
Mais tarde tem tempo para pensar no que quer fazer da sua vida, no que está certo, no que está errado, nas contas que tem para pagar, no trabalho que tem para fazer, na mãe e no pai que se vão distânciando aos poucos...
No encontro amoroso das horas vagas ou no amor do conto de fadas que a mãe lhe contava em criança...
Nos amores perdidos que não se voltam a encontrar e naqueles que poderiam chegar a ser grandes amores, outrora rejeitados...
No amor perfeito...
Aquele que promete vir um dia ao seu encontro mas que nunca chega a horas.
Enfim, tudo o que conhece e sabe deixa ficar para mais tarde...
Agora prefere ficar apenas a contemplar o infinito...que é ao fim ao cabo o desencontro com a vida.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Apetece-me provar dessa loucura de que falas e mergulhar nesse mar profundo onde Deus habita.
Ultrapassar todos os limites impostos pela sociedade e viver na corda bamba que está para além de mim...
Para além das minhas "condições de possibilidade".(imperativo categórico kantiano).
Mas essa pertence a uma esfera numénica inalcansável e inacessivel a qualquer ser humano
porque somos feitos de carne e osso e não apenas essência,
porque somos visiveis ao olhar dos que nos rodeiam e pior ainda,
porque temos de conviver com eles e muitas vezes para eles.
Esse é o motivo pelo qual estamos aprisionados na caverna de Platão e não conseguimos ainda ver a luz, apenas as sombras das coisas que passam por detrás de nós...
É por isso que a filosofia demarca essa diferença entre o cognoscivel e o inconsciente.
Não sei se Kant teve ou não razão na sua Critica da Razão Pura, o facto é que a esfera dos fenómenos abarca tudo o que conhecemos.
E o que é a nossa vida senão isso mesmo?
Viver com o que sabemos. O desconhecido permanece ele mesmo no desconhecimento e não há ninguém que o consiga alcançar.
Ficámos desde sempre aprisionados a um tempo determinado e finito incorporando uma matéria com com a qual nos mostramos perante o Dasein e a passagem ao numénico far-se-há apenas quando essa duração chegar ao fim.
Esta é a condição incondicional à qual nunca poderemos fugir.
Essa loucura de que falas é no fundo o belo e o sublime, esse desejo de correr atrás do desconhecido sem nunca o conseguir agarrar, a ancia de apanhar todos os momentos com uma só mão e a fúria desesperada de querer ser feliz.



sábado, 12 de maio de 2007

Travessia


Pelas águas profundas do rio Tejo, navego para a outra margem.
A terra vai ficando para trás e a pequena travessia do Terreiro do Paço para o Barreiro faz-se à semelhança da longa viagem do meu pensamento...
Alcanço agora uma miragem do lado de lá da margem num fio de esperança de lá te encontrar.
E enquanto navego neste curto espaço de tempo, as lembranças vêm-me à memória tão velozmente quanto as ondas que vão ficando para trás...
E o meu passado confunde-se com o meu futuro espelhando-se simétricamente no meio do vazio que é aquele instante.
Interrogo-me...
O que me espera?
Quem espera por mim?
Por quem espero eu?

E o tempo avança à medida do percurso que traço na esfera do espaço, enquanto a vida permanece absolutamente estática.
Aqui estou parada, numa quietude inquietante, sendo embalada pelas ondas destas águas que me levam para a outra margem...
Apenas contemplando a paisagem...

Estou quase lá...
E tudo passa, mas tudo fica na memória de uma curta viagem que se estendeu por toda a minha vida.
E interrogo-me novamente...

O que me espera o outro lado da margem...

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Por vezes a nossa vida gira ao contário, tal como o galho da árvore volto para baixo. Mas olhem com atenção...

Ela não deixa de ter o seu encanto por ficar despida, pois mesmo voltada para cima as suas folhas acabariam por abalar no outono. Reflitam...

Podemos sempre fazer da vida um arco iris, mesmo quando tudo parece estar fora do lugar...

A conjugação das cores pode ser perfeita e trazer um novo sentido, diferente sim, mas não cinzento!

Tal como as várias fases da vida, a própria natureza da árvore, produz sempre alguma forma de beleza a cada estação e apesar das folhas cairem ela continua de pé...

AH, A FRESCURA na face de não cumprir um dever!
Faltar é positivamente estar no campo!
Que refúgio o não se poder ter confiança em nós!
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros,
Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo,
Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que eu saberia que não vinha.
Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida.
Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação.
É tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora,
Deliberadamente à mesma hora...
Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico.
É tão engraçada esta parte assistente da vida! Até não consigo acender o cigarro seguinte...
Se é um gesto,
Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida

Fernando Pessoa

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Euforia

Na euforia da noite tu apareceste para me salvar
daquilo que poderia ter sido a gota d'água do que já foi...
E depois voltaste novamente na euforia de uma outra noite.
Uma noite diferente de todas as outras que já passaram.
Nessa noite, o acaso uniu-nos à maneira originária da natureza e levou-nos a observá-la na mais intima e doce beleza do seu aparecer.
Um aparecer escondido e mostrado ao mesmo tempo.
E na contemplação de uma lua envergonhada desencadeou-se uma vontade mutua...
...o beijo.
O beijo do céu a tocar na terra no instante em que Zeus chamou Gea a presentificar o seu desejo.
E penso...
Se fosse o sim a prevalecer?
A mistica envolvente do momento vivido jamais desaparecerá...
E penso...
E depois, que restaria de nós?
A vontade de avançar no momento presente levaria à quebra do momento seguinte...
E penso...
Como seria o fim?
No fim não restaria nada a não ser... o fim da euforia de uma noite perdida.
E decidi.
NÃO